Idosa que teve papagaio apreendido recupera ave de estimação após pedido ao MP: ‘É como um filho’, diz advogada

Semyonova Solpav
Semyonova Solpav 3 Min Read
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Uma idosa de 77 anos conseguiu recuperar o papagaio que tinha como bichinho de estimação há mais de 30 anos em Porangaba, no interior de São Paulo. A ave tinha sido apreendida em novembro do ano passado, depois de uma denúncia por maus-tratos.

Ao g1, a advogada da dona Jacira Pacheco, Ana Mendes, explicou que a denúncia foi feita por um vizinho da idosa, que se incomodava com o barulho das maritacas que a moradora alimentava.

A partir disso, a Justiça expediu um mandado de busca e apreensão na casa da idosa, e o papagaio “Louro” foi apreendido pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente da cidade.

“Veio um pedido para gente fazer a captura do animal e dar um destino adequado para ele. Eu mesmo fui buscar, com o mandado. E aí não deixaram ela ver e nós pegamos o papagaio escondido, para ela não ficar muito triste”, lembra o secretário Paulo Fernando Soares Vieira.

De acordo com a advogada, desde a apreensão do papagaio, dona Jacira, que é diabética e cadeirante, ficou muito abalada e passou a ter problemas com a pressão alta. Por isso, a família enviou um requerimento ao Ministério Público pedindo a devolução do “Louro”.

Ana Mendes contou que o papagaio foi domesticado por dona Jacira, costuma ficar solto pela casa, reconhece a mãe e é alimentado com sementes de girassol, pão e frutas, do seu gosto.

“Ela sempre ficou na esquina da rua com o animal no colo, nos pés. Ela tem um amor como se fosse um filho dela. Aí fiz o requerimento informando que existia um vínculo afetivo e que o papagaio já tinha se tornado um animal doméstico pelo tempo e vínculo emocional com a dona”, explica.
Além disso, o secretário de Agricultura e Meio Ambiente explicou que veterinários não constataram sinais de maus-tratos no papagaio e que a pasta não tinha um local adequado para mantê-lo.

“Entrei em contato com a Polícia Ambiental, Unesp, centros de animais silvestres, mas não achei vaga. Então o papagaio ficou na Casa da Agricultura, no prédio da secretaria. Nós o mantivemos engaiolado e fomos alimentando com os recursos que a gente tinha até conseguir o aval para voltar provisoriamente com a dona”, explica Paulo.

Em janeiro deste ano, a advogada informou que o requerimento foi aceito e o “Louro” foi devolvido à dona Jacira. De acordo com a advogada, a idosa foi reconhecida como proprietária do papagaio e, como não houve maus-tratos, o processo judicial perdeu o objeto.

“O pedido foi deferido e ela voltou a ficar bem, o animal também. Teve um final feliz”, finaliza Ana Mendes.

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