Como funciona a recomposição corporal após transtorno alimentar? Entenda com Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar 

Alice Norvain
Alice Norvain 5 Min Read
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Lucas Peralles

Retomar o treino e o cuidado com o corpo depois de um histórico de transtorno alimentar exige um cuidado que vai além do que costuma orientar processos convencionais de recomposição corporal. Números, metas de peso e comparações podem reativar padrões que levaram muito tempo para serem superados, mesmo quando a intenção por trás do processo é positiva.

Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar e nutricionista esportivo em São Paulo, explica que, nesses casos, a prioridade não é a velocidade do resultado, é a segurança emocional de quem está retomando essa relação com o próprio corpo, com uma equipe preparada para reconhecer sinais de alerta ao longo do caminho.

Por que esse processo exige uma abordagem diferente?

Recomposição corporal, mudar a proporção entre gordura e massa magra, costuma ser guiada por acompanhamento de peso, medidas e metas específicas. Para quem tem histórico de transtorno alimentar, esse tipo de monitoramento pode reativar obsessão por números, contagem excessiva ou comportamentos de restrição que fizeram parte do quadro anterior.

Por isso, abordagens não centradas em dieta, que priorizam reconhecer sinais de fome e saciedade em vez de seguir regras rígidas predeterminadas, têm se mostrado eficazes justamente para reduzir esse risco, deslocando o foco da perda de peso para o bem-estar geral e a relação com a comida.

Por que o acompanhamento precisa ser multidisciplinar?

Nenhum profissional isolado deveria conduzir sozinho um processo físico em alguém com esse histórico. O ideal envolve nutricionista, psicólogo ou psiquiatra especializado em transtornos alimentares e, quando necessário, médico, trabalhando de forma integrada, não em consultas isoladas e desconectadas entre si.

Lucas Peralles aponta que decisões sobre treino e alimentação, nesses casos, não deveriam ser tomadas sem considerar o quadro emocional da pessoa naquele momento, já que uma orientação tecnicamente correta pode ser prejudicial se aplicada sem esse contexto mais amplo.

Como diferenciar cuidado saudável de recaída disfarçada?

Alguns sinais merecem atenção redobrada: rigidez extrema com horários e quantidades, ansiedade forte diante de qualquer variação do plano, exercício usado como punição por ter comido algo fora do combinado, ou evitar situações sociais por causa da comida. Nenhum desses comportamentos deveria ser normalizado como disciplina.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Toda a construção de repertório emocional, reconhecer gatilhos, nomear o que se sente antes de agir sobre isso, também vale para quem usa o próprio corpo ou o treino como forma de lidar com desconforto emocional. O caminho, nesses casos, é desenvolver estratégia para lidar com esses momentos, não reforçar culpa ou vergonha sobre o que já foi sentido ou feito. 

O que muda na forma de acompanhar esse processo?

O foco em resultado rápido, comum em conteúdos sobre recomposição corporal, precisa ceder espaço para um ritmo mais gradual, com revisão constante de como a pessoa está se sentindo, não só de como o corpo está mudando. Isso pode significar menos frequência de pesagem, menos ênfase em fotos comparativas, e mais atenção a sinais de sofrimento que peso ou medidas não capturam.

O nutricionista esportivo Lucas Peralles considera que, nesse contexto, colaborar ativamente com o suporte psicológico da pessoa e nunca substituí-lo é o que diferencia um acompanhamento responsável de um que, mesmo bem-intencionado, pode reabrir feridas que ainda estão em processo de cicatrização. 

O que sustenta um processo seguro nesse contexto?

Recomposição corporal, para quem tem histórico de transtorno alimentar, não deveria ser tratada com a mesma lógica usada para o público em geral. Nesse contexto, a prioridade é a segurança emocional, o trabalho em equipe entre diferentes profissionais, e o reconhecimento de que retrocessos fazem parte do processo, sem que isso signifique fracasso.

Se você está passando por essa situação, ou reconhece esses sinais em alguém próximo, vale buscar apoio de uma equipe especializada em transtornos alimentares antes de iniciar qualquer mudança física na rotina. A Clínica Peralles, referência em recomposição corporal com saúde em São Paulo, compartilha conteúdos sobre autonomia emocional-alimentar no Instagram. Siga @nutriperalles para acompanhar mais!

 

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